Relógio histórico mantém origem em Álvares Machado
- Estevão Salomão

- 7 de jan. de 2020
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Por: Estevão Salomão

No alto da Paróquia São José, em Álvares Machado, existe um ambiente onde o tempo possui sua mais perfeita sincronia. Semelhante a função de um maestro à sua orquestra, é possível perceber o som de cada hora, minuto, segundo. É ali que funciona uma das mais subjetivas criações tecnológicas e uma das mais raras com aspectos manuais na atualidade: a “máquina do tempo”.
Com mais de 65 anos de funcionamento no local, o equipamento é o responsável pela programação e exibição do horário na torre da igreja, que chama atenção a cada 15 minutos com o repetido toque de seu sino.
Lá fora, um personagem se destaca em meio ao vai e vem de carros, pedestres, e aos soares de mais ¼ de hora. Com os olhares atentos aos ponteiros do relógio, o senhor Valdevino Candido de Souza se aproxima e diz ser ele o responsável “por dar corda ao relógio”. O que faz há 25 anos.
A disposição de seus 75 anos de idade é invejável, especialmente ao subir duas estreitas e extensas escadas até chegar ao seu local de trabalho. Naquele pequeno espaço, Valdevino exibe sua destreza com a máquina e explica que o manuseio é simples, porém “deve ser repetido ao menos duas vezes na semana, para que os ponteiros não parem de girar”.
Entre o barulho de uma engrenagem e outra, o “som do tempo” é o que faz Valdevino refletir sobre a própria evolução da vida. Segundo ele, a atividade é rara nos dias atuais, “pois foi substituída por equipamentos modernos e automatizados”. No entanto, “enquanto o trabalho existir, será realizado com a maior dedicação e paixão possível”.
Da fresta do relógio da igreja, a aproximadamente 20 metros de altura, a única vista possível são alguns galhos de árvores ao relento. Desse local, questionado sobre o futuro, Valdevino diz que este período ainda não foi escrito por sua máquina. “Busco viver o agora, igual a esse aparelho, que nunca deixou de transmitir sua principal mensagem: o valor do tempo”.



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