Uma boa história
- Estevão Salomão

- 6 de jan. de 2020
- 2 min de leitura
Por: Estevão Salomão
Em meados de 1927, quando a história escrevia mais um capítulo aos direitos da mulher, com a permissão do voto, uma conquista mais singela preenchia as intenções da pequena moradora de Álvares Machado, Mite Matsuno, que sonhava em ser costureira. “Numa época em que mal podíamos sair de casa, costurar era nosso passatempo”, relembra aos 91 anos de idade.
Filha de japoneses, Matsuno cresceu ao lado das transformações políticas e sociais brasileiras, que ano após ano decretava um novo rumo a história do país, como, por exemplo, a proibição da prática de esportes às mulheres, em 1945, e, por outro lado, a criação de conselhos estaduais da condição feminina, em 1983.

Tão quanto a realidade a sua volta, os sonhos da jovem ganharam forma e intensidade. Aos poucos, a habilidade em tecer, cortar e costurar tornaram-se os principais afazeres de seu dia a dia. “Desde então nunca mais parei de costurar. Hoje um pouco menos, mais ainda gosto”, relata.
Entre as linhas da vida e as do tempo, Matsuno tornou-se adulta, cresceu e envelheceu. Viu de perto a evolução de um novo tempo e juntou-se a ele. No ano de 2000, com 73 anos de idade, tornou-se diretora do templo budista Anrakuji, em Álvares Machado, além de ser, atualmente, a jogadora mais idosa do time de Gueitebol, do município.
Mãe de cinco filhos, avó de 17 netos, sete bisnetos e sete tataranetos, Matsuno diz que o segredo da vida está em ajudar o próximo. “Sempre ajudei as pessoas e assim fui muito feliz”, orgulha-se.
Sorridente e brincalhona, ao fim de nossa conversa, ao observar sua fotografia na tela da câmera, disse: “Nem parece que tem 91 anos, né?”. Em seguida, com um largo sorriso no rosto, Matsuno agradeceu minha presença e retornou a mais uma de suas rotineiras atividades: voluntária de eventos no templo.



Comentários